domingo, 4 de setembro de 2016

Capitulo 2 - O começo do começo

Pensando bem, não foi nada fácil ser eu mesmo. Mas eu fui. Ser eu mesmo era minha religião. Mas seguir uma religião, sem questioná-la é uma rematada forma de ignorância.

E me vendo de dentro era um sofredor: porque o mundo a minha volta era maior que eu e isso é deprimente.

Não sei bem quando a ousadia de querer ser um guerreiro me abarcou: nessa hora eu quis ser maior que o mundo.

Me desapeguei de velhas crenças particulares e comecei a desconfiar de mim. A auto desconfiança precede a verdadeira auto-confiança.

Porque não é possível crescer sem matar alguém. E esse alguém sempre está tão perto que ocupa o mesmo corpo.

A pessoa é a prisão dela mesma. Toda opressão começa em acreditar que somos o que somos. Na verdade não somos nada, mas nos fazemos ser o que somos a cada dia.

Quando percebemos que não estamos construídos mas que ao contrário somos inacabados, acordamos para o fato que nos fazemos da mesma forma que o artista faz a obra de arte. Todo quadro e escultura nascem de um caos. É um problema intrincado. Ou colocamos a mão na massa e nos fazemos ou o mundo nos faz e nos tornamos uma coisa do mundo e não nossa. Efeitos de causas e não causa de efeitos.

Eu realmente acho que precisamos meditar muito. Que precisamos nos construir e isso implica em desconstruir o que construíram na gente: grades! Limitações! Negatividades!

Eu tinha me apegado a ideia de que o artista é pobre porque é uma espécie de herói cristão: sofre e padece porque isso é o mais nobre e justo.

Não que o dinheiro seja um Deus: mas quando traçamos planos há uma série de ferramentas e objetos a serem utilizados para levar a tarefa a cabo. O dinheiro ao contrário de trazer a infelicidade é uma liberdade de fazer as coisas acontecerem. Acumula-lo e não circula-lo, é puro egoismo e não faz bem pra alma.

Assim, o começo do começo é nossa mentalidade.Pensamentos e sentimentos alimentando a vontade e que são alimentados por ela. Mesmo que estejamos nos sentindo mal, deprimidos, vencidos, e ousar deixar isso de lado. É preciso acreditar e dar o salto quântico. É preciso olhar para dentro pra se conhecer, e se recriar. Quando somos vítimas da situação e há responsáveis pela nossa desdita, é sinal que somos sem fé no nosso poder pessoal. É isso que tem que ser subvertido. É assim que se começa certo.
Quer ser feliz? Conquiste isso no seu interior. Foi o que descobri, me descartando e me recriando.













sábado, 3 de setembro de 2016

Capítulo 1 - A Viagem a Corumbá

Eu andava tão triste. Tinha terminado com uma namorada depois de cinco anos. Eu gostava demais dela. Mas era um relacionamento que me colocava pra baixo. Aguçava alguns complexos de inferioridade. Eu fui corajoso por terminar com uma pessoa que eu amava tanto. Mas teve que ser.
Nessa mesma época uma amiga de Corumbá, me encomendou uma tela grande, com Iansã e um centauro no cenário do pantanal. E me convidou pra conhecer a cidade onde ela morava, no Mato Grosso do Sul, na divisa com a Bolívia. Eu fui. Foi a primeira e única viagem de avião...Fantástico!
Ela tem uma ótima casa e me recebeu muito bem, a Raquel Juliano. Ela trabalhava e eu ia perambular pela cidade. Uma cidade muito bonita e interessante. E era pertinho da Bolívia e fui várias vezes lá também.
Eu cito essa viagem porque foi ali que eu consegui me ver de fora...Me tornei um turista pela primeira vez e esqueci um pouco o meu drama. Isso fez um bem danado pra minha pobre cabeça torturada por si mesma.
Foi ali que conheci a Pérola...Conheci ela na internet num site de relacionamento. De dia passeava e de noite conversava com ela na internet. Nos demos tão bem nos papos que quando eu voltei pra São Paulo 15 dias depois foi ela quem estava me esperando do aeroporto. Quando nos vimos não disse nada, apenas abracei e dei um beijo de cinema.
Afinal eu tinha me dado bem. Encontrei uma criatura impar, que como eu estava com o coração mexido e nós nos curamos mutuamente. Pérola é bonita, doce, espiritualizada e muito inteligente. Além disso eu tinha dor de dente e ela é dentista!
Foi o começo de uma grande amizade, cheia de honestidade, abertura e luminosidade. Lá em Corumbá, no meio do nada, eu havia subido numa arvore e fiquei lá horas pensando na vida e pedi pra Deus um grande amor. E Ele não me frustrou.
Aos poucos fui contando a ela meu sonho de ter meu canto, pois morava com meus pais a uns sete anos, desde que me separei da mãe de quatro dos meus cinco filhos. Ela embarcou comigo nisso e fomos conversando sobre esse assunto.
Isso foi no fim do ano. No começo do ano eu escrevi no diário: "vou comprar um terreno". Mas eu não tinha dinheiro pra comprar uma pizza. Mas eu estava determinado. Eu ia conseguir, mas não sabia como.











































Prefácio

Caros amigos, esse novo blog nasce depois de cerca de dois anos que começamos o "Projeto Fazendo a Toca". Creio que passamos por tantas aventuras que fomos amadurecendo, e mesmo estando nos inícios já podemos traçar um caminho. Com nossa história pretendemos mostrar a todos que sonhar com uma vida melhor, mais integra, sustentável é possível e é a atitude mais ética em face da existência. Não somos mestres mas aprendizes. Temos mais erros pra contar do que acertos, mas os erros foram uma ótima escola e a insistência em tentar corrigi-los ao poucos vem tornando nossa modesta morada um lugar belo, harmônico , onde o amor por tudo que existe e é bom tem sido cultivado.

Quantos passaram por aqui, pessoas estranhas que convidamos sem saber quem eram e de onde vinham,. mas que recebemos como irmãos e recebemos deles a mesma carga positiva de energia.
Tive o capricho de fotografar tudo, cada etapa e espero que isso valha agora pra ilustrar meus textos e da Pérola Bonander, minha sócia, cúmplice, amante e irmã.

Uma vez li em algum lugar palavras proferidas por Sidarta Gautama, o Buda, que me norteiam sempre que nelas me foco: "Tudo nasce na mente, é fruto da mente, se origina na mente e é produto da mente" Bem, talvez as palavras não sejam exatamente essas, mas é esse o sentido. Ter a ideia, acreditar nela e  persegui-la. Somos cheios de obstáculos em nós mesmos que temos que superar. Quebrar velhos paradigmas que nos limitam e nos empobrecem a alma. Antes de um grande projeto precisamos fazer uma proposta interior de abertura, de coragem, de sair da zona de conforto para que as coisas aconteçam. Quando a mente da gente se abre pras possibilidades elas surgem, de maneiras até difíceis de explicar. Mas vamos tentar, Nos acompanhem nessa trajetória cujo final ainda nem se sabe qual seja. Não posso garantir nada, apenas comunhão, honestidade e aventura. Sejam muito bem-vindos!